16 de novembro de 2011

Caminhada


Caminhada...
Sei que na minha caminhada tem um 
destino e uma direção, 
por isso devo medir meus passos, 
prestar atenção no que faço 
e no que fazem os que por mim também 
passam ou pelos quais passo eu...

Que eu não me iluda com o ânimo 
e o vigor dos primeiros trechos, 
porque chegará o dia em que os pés 
não terão tanta força 
e se ferirão no caminho 
e se cansarão mais cedo...

Todavia, quando o cansaço houver, 
que eu não me desespere 
e acredite que ainda terei forças para continuar, 
principalmente quando houver quem me auxilie...

É oportuno que, em meus sorrisos, 
eu me lembre de que existem os que choram, 
que, assim, meu riso não ofenda a mágoa dos que sofrem:
por outro lado, quando chegar a minha vez de chorar, 
que eu não me deixe dominar pela desesperança, 
mas que eu entenda o sentido do sofrimento, 
que me nivela, que me iguala, 
que torna todos os homens iguais...

Que eu não siga os que desviam, 
mas que ninguém se desvie 
seguindo os meus passos...

Que a pressa em chegar não me afaste da alegria 
de ver as flores simples que estão a beira da estrada, 
que eu não perturbe a caminhada de ninguém, 
que eu entenda que seguir faz bem, 
mas que, às vezes, é preciso ter-se a bravura de voltar 
atrás e recomeçar e tomar outra direção...

Que eu não caminhe sem rumo, 
que eu não me perca nas encruzilhadas, 
mas que eu não tema os que assaltam-me, 
os que embuçam, 
mas que eu vá onde devo ir e, 
se eu cair no meio do caminho, 
que fique a lembrança de minha queda para impedir 
que outros caiam no mesmo abismo...

Que eu chegue, sim, mas, ainda mais importante, 
que eu faça chegar quem me perguntar, 
quem me pedir conselho, e acima de tudo, 
me seguir, confiando em mim !
 (Ponsancini)

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