4 de março de 2011

Tomemos um Mate!

Tomas um Mate?
( Autor desconhecido )
O mate, ou chimarrão 
não é uma bebida. 
Bueno, sim, pois é 
um líquido e entra pela boca,
 porém não é uma bebida.
No Rio Grande do Sul e 
nos paises cisplatinos, 
ninguém toma mate porque tem sede.
 É mais um costume, como coçar-se.
O mate faz exatamente o contrário da televisão: 
te faz conversar se estás com alguém e te 
faz pensar quando estás solito.
Quando chega alguém na tua casa, a 
primeira frase é “buenas” e a 
segunda é: vamos matear?
Isto se passa em todas as casas, 
seja de rico ou de pobre.
Passa entre mulheres e 
homens sérios ou imaduros, 
velhos ou jovens. 
É a unica bebida compartilhada entre 
pais e filhos sem discussão e 
onde ninguém “enche a cara”. 
Chimangos ou maragatos, 
gremistas ou colorados

cevam mate sem entreveros.
No inverno ou no verão
É a unica coisa em que nos 
parecemos vítimas e carrascos; 
bons e maus.
Quando tens um filho, começas a 
dar mate quando ele te pede. 
Se o dá morno com algum açúcar, 
se sentem grandes. 
E tu sentes um orgulho enorme 
quando um piazito teu começa a tomar o mate, 
parece que o coração te sai do corpo.
Depois com os anos, 
eles elegem se o tomam amargo ou doce, 
muito quente ou tererê, 
com casca de laranja ou limão 
ou ainda com alguma planta 
medicinal misturada à erva.
Quando conheces alguém e não 
tens confiança, ao convida-lo 
para um mate perguntas:
-Doce ou amargo?
E se o outro responde:
-Como tu tomas
É um bom sinal.
Nas casas do Rio Grande do Sul 
sempre há erva mate.  
A erva é a única que há sempre, com inflação, 
com fome, com militares, com democracia, 
com “mensalões”, ou com quaisquer 
de nossas pestes e maldições eternas. 
E se um dia não houver, 
um vizinho têm e te dá, 
pois a erva não se nega a ninguém.
O Rio Grande do Sul é um dos poucos 
lugares do mundo onde a transformação 
de uma criança para  um homem 
ocorre num dia em particular.
Esse dia não é o dia em começastes a  fumar, 
ou usar calças, ou quando fizestes circuncisão, 
ou entrasse para a universidade 
ou começou a viver longe dos pais.
Começamos a ser grandes no dia 
que temos a necessidade de tomar, 
pela primeira vez, um mate solito.
Não é casualidade. 
No dia que uma criança põe a 
chaleira no fogo e toma seu primeiro mate 
sem que haja nada em casa, 
nesse minuto é que descobre que tem alma.
Ou está morto de medo, 
ou está morto de amor, ou algo: 
porém não é um dia qualquer.
Poucos são os que se recordam desse dia,
 mas em todos há uma revolução 
por dentro a partir desse dia.
O simples mate é nada mais 
nada menos que uma demonstração de valores... 
 É a solidariedade de bancar o
 mate lavado porque a charla é boa.  
A charla, não o mate.
É o respeito pelos tempos para falar e escutar, 
tu falas enquanto o outro toma, 
até que num momento dizes:
-Basta, troca a erva!.
 É o companheirismo nesse momento.
É a sensibilidade da água quase fervendo.
É o carinho para perguntar:
-Está quente, não?.
É a modéstia de quem ceva o melhor mate.
É a generosidade de servir até o final.
É a hospitalidade do convite.
É a justiça de um por um.
É a obrigação de dizer obrigado 
ao menos uma vez ao dia.
É a atitude ética, franca e leal de 
encontrar-se sem maiores 
pretensões, de compartilhar.